Ops. Acho que chegamos numa hora imprópria para menores de 18 anos.
O_O
Este conto, que não é bem conto.
Começa com uma morte. Uma morte simples, não necessariamente tranqüila.
Havia aquela senhora. Pançudinha, alegre. Fumava cigarros de palha com
fumo de corda e era viciada em café e farinha. Ria de um jeito
engraçado e cuidava de mim de novinho. Chamavam-na Doca. A vó Doca.
Ela morreu. Hoje.
Quando minha mãe saía para trabalhar, ela pendurava-se numa lata e me
passava pela janela. Era um segredo mais que secreto, que ela me
levaria até a casa dela, me colocaria no coxo, cheio de água e me daria
groselha pra beber. E lá eu ficaria até o meu pé ficar velhinho. Aí ela
me cantaria a música da baratinha porque sabia que eu gostava. "A
barata diz que tem, sete saias de filó! É mentira da barata, que ela
tem é uma só!"
Ela morreu, de insuficiência respiratória. No caminho do hospital. Simplesmente, parou de respirar e se foi.
Ela gostava de preparar um misto de ovo e farinha de mandioca com sal e
fritar. Dizia que quando a avó dela estava doente, saía com aquilo num
saco e levava pra avó. Que a mãe dela fazia. E que era bom, assim eu
cresceria forte e robusto. Ela me deixava brincar na rua. Vinha
correndo, porque eu sempre pisava nas plantas dela, brincando com meus
bonequinhos, construindo bases militares entre os pés de hortelã ou
prédios secretos no meio das flores amarelas.
"Sai dai seu tiraninho!"
Quando me deram a notícia, foi uma coisa meio assim, seca. "Sua avó
faleceu". Não acreditei na hora. Achei que era palhaçada. Quase ri. Mas
não foi riso que eu ouvi. Foi um soluço. Involuntário. Lágrimas
grossas. Quentes. Tinha que sair dali. Sentei no ponto de ônibus e
chorei. Um grande espetáculo aos transeuntes. Chorei. Chinguei ela.
Disse que era uma idiota de fazer isso. Oras, partir assim. Sem se
despedir. Sem dizer nada! Merecia uma bela "camaçada de pau".
Ela dizia que era minha mãe do dia. E que me amava. E dizia que o
cigarro dela era o "Cheroso". E dizia que não era pra eu fumar porque
eu era bem novinho. E cantava:"Seu Rodrigo, pé de bico, Manoel, pé de
Tabaco...". Ela tinha uma das risadas mais gostosas do mundo. E agora
não pode rir. Deve estar fria, entre flores, numa caixa de madeira
imóvel. Não vou mais ver o peito mamicudo se mechendo com força.
"GUIGOOOOOOOO! VEM TOMÁ CAFÉÉÉ!"
Alguns dias atrás encontrei ela saindo do hospital. Estava mais forte.
"Vó, contei sobre a música que tu cantava"
"música?"
"Quem quer casar com a senhora baratinha! Que tem fita no cabelo e dinheiro na caxinha."
"Ah barata! Tu... sempre cantava. Quando... vivia cantando. E vivia no
meio das tuas tralhas. auele monte de lixo que não jogava fora e ficava
inventando coisa. E ficava cantando... a música... é é, nem sei mais."
Ela sorriu. E é com esse sorriso em mente que imagino que ela partiria
se pudesse. Estendendo as mãos num aceno, com aquele vestidinho
surrado, os cabelos encaracoladinhos que eu erdei, e o olho vermelho e
choroso..
"Xau Guigo. Xáu."
"Xáu vó."
Quando a colher de doce de leite caiu sobre o sofá, o mundo parou. Tudo ficou vermelho. Trovões riscaram o céu de madeira fazendro tremerem as dezenas de bonequinhos de cima da estante.
___COMO OUSA!
Prevendo o que aconteceria em seguida, agarrou-se em almofadas fofinhas como o náufrago a mão trêmula do capitão russo do navio estranho.
___Não me mateeeeee!
A coisa parecia séria. Ela havia colocado as mãos na cintura, símbolizando, segundo os beta-carotenos, a posição da fera açucareiro from hell. Seja o que for, era perigoso, e os olhos assustadores só confirmavam essas deduções.
___Sabe QUANTO custa para mandar limpar ESSA MERDA QUE VOCÊ ACABOU DE FAZER?
Era sempre a mesma coisa. Ele faria carinha de inocente e não ia adiantar. Pediria perdão e começaria uma cena de auto-flagelo inútil, que resultaria num aumento progressivo da raiva dela, a tal ponto que vidas, vidas inocentes de objetos que ele amava imensamente corriam risco de vida.
___Não foi de propósito amor. Essas coisas são como imãs. não dá de se distrair. Ó, amanhã acordo cedinho, mando a Dinorá limpar, ela sabe umas técnicas avançadas das trisavós dela, lá do Egito pra limpar pêlo de camelo. Eu vou dar um jeito juro!
___Sempre a mesma coisa! SEMPRE!
___Amor...
___NÃO SE FAÇA DE...
___Eu vou dar um jeito...
___ Eu não sei o que eu fiz pra merecer...
___Amor...
___Porque não cala essa boca? SE não fosse um fudido e ganhasse mal a gente não ia...
O tempo pára, Quase posso ouvir o sonzinho característico do pause do Supermario. Ela, a boca entreaberta de quem falou demais, como que procurando reengolir todas as palavras de volta, sugando-as. Mas isso não acontece. Ele, imóvel, com cara de quem não acredita no que está acontecendo prepara-se para a segunda fase da discussão.
WORLD 1.2
THE REVOLT
Mário cruza a tela, macacão vermelho até a fase onde a princesa Peach aguarda com a cara de arrependimento.
___Eu não queria...
___...
___Ai amor, tu me irrita as vezes.. não precisava...
___...
___Pára...
___...
Ela vem até ele. Ele vira a cabeça, controlando toda a azía interna, o caldeirão maligno em brasa que tapado herméticamente não permitiria que uma profusão de palavras de baixo calão se espalhasse pelo ar doce de uma noite caseira de sábado.
___Amor... Perdão...
___Não tem problema...
___Tem sim! me perdoa...
___Não esquenta...
___PARA! Eu te amo!
___Tb te amo.
___Vem cá. Me abraça.
___Tá.
Ele sorri escondidinho. A raiva se dissipa em segundos e aproveita a posição para sentir o cheirinho do pescoço dela. Imoralmente, lambe seu rosto de aulto a baixo.
___Filho da puta!
___He he.
Devido aos recentes cortes malvados, acho que terei que me mudar pra cá. Não seria uma idéia tão má, acredito eu, apesar de que eu gostava muuuuito do LJ.
Bem, vamos ver no que dá.
E um pouquinho de System para Ajudar, e saudades da Moça Branca e pensando no que o Homem Cinza estará fazendo agora.
Vistas Grossas
Toquei-lhe o tornozelo.Não escapei da pergunta que quase acertou-me as fuças. Numa esquiva acrobática absurda Tentei desvencilhar-me mas o questionamento esbravejante furou-me o tímpano.
Disse que era culpa das amoras. Elas eram vermelhas e tinham aquele gosto doce-ácido. Mas ela não acreditou.Y
Triste e sem muits opções, pendurou a prancheta coberta de rabiscos sobre a lareira e pôs se a tricotar uma história. ___Vestirei para a próxima festa! - Disse ela sorridente.
Sorriu ele também, absorto nas letras que escapavam da agulha.
Malditas Interrogações! - Pensou. E Desmanchou tudo.
