Me lembra minha menina...
Pegue uma dúzia de informações inúteis e coloque em uma cachola aleatória. Pronto. Agora ponha uma fita nova na máquina de escrever, dê alguns espaços para centralizar e escolha um título:
O mortoMeio mórbido. Rude Talvez. Eu diria desnecessariamente obscuro, a menos que se refira a uma partida de canastra. Tirando a folha. Amassando. Lixeira.
Vou tentar novamente. Algo mais voluptuoso talvez. Um pouco enigmático.
Ordinária.
Nossa. isso Foi muito Nelson Rodriguez. Talvez um pouco cru demais. Meio brusco. Um bom título até, o ponto dá um "quê" a mais, como uma freada brusca em qualquer idéia subseqüente. Em outras palavras, Lixo!
Nova folha. Espaçamento. Cara de quem não sabe o que fazer de desespero. Os dedos, todos esquerdos, até os da outra mão, catam milho sobre as teclas, decididos a sair um pouco do usual:
Valeska e o raio azul
Essas idéias de raios coloridos são toscas. Afinal, textos com raios azuis, vermelhos, verdes (Até o Julio Verne tem um!) é uma coisa tão batida! Porque raio? Será um raio lazer? Será um raio que risca o céu em um noite tempestuosa? Será um raio invisível? Não ele é azul. Algum raio ocular, como do Ciclope dos X-men. NÃO. Estressei-me. Nada de raio, e nada de cor.
O papel, arrogante, desta vez, insistiu em empelotar-se e travar completamente a maldita máquina escrevinhadora. Mais irritado que nunca, puxei violentamente o papel, que escorreu pelo carro e voou sobre a minha face talhando-me de leve a bochecha. Papel assassino! E meu dedinho latejando. E o cheiro de graxa, e a máquina a observar-me irritantemente indiferente.
Violento, domei-a. Papel no ponto, espacinhos barulhentos. Que título meu Deus? Se fosse um texto do word ele ia colocar o primeiro parágrafo como título do arquivo. Mas nem tem um primeiro parágrafo! Talvez ele criasse um "Untitled.doc". Não isso seria péssimo. O título tem que ter peso. Ele chama o leitor. Este sente-se atraído como por uma força magnética invisível, que lhe puxa as pálpebras, os globos oculares, as idéias dispersas para aquele ponto nu do papel, aquela zona mágica que, como os cheirinhos de comida dos desenhos animados que atraem o personagem incauto a deslizar mais leve que o ar através das telas coloridas da TV até o delicioso prato cobiçado. O título é tudo. Mas não há idéia nenhuma. Não há nada. Apenas terror de não criar título. De deixar um espaço em branco, morto, cadavérico. Arranco a folha em branco, maldita e arremesso longe, numa panela lá na cozinha.
Mas e se...
Minha mente dá voltas repentinas e freia na frente de um bar.
"Maracujá Joinville, por favor."
Voltando das necessidades mundanas, minha mente sussurrou baixinho pra alguma entidade burocrática que repassa essas informações pro meu eu concientemente desconciente.
"Comece pelo fim".
"Comece pelo fim?"
"Não discuta, só repasse"
"Assine essas 5 vias, protocole e traga com esses documentos".
Alguns minutos de pérfida e dolorosa auto-flagelação não criativa depois, veio-me a idéia, violenta, de supetão. Quase caí da Cadeira.
"Comece pelo fim? Claro!"
Esse seria um daquele malditos textos de trás pra frente, quase como uma versão renovada de "Amnésia". Mas com mais sexo, e mais violência. E mais tatuagens. Ou não.
Decidido, meus dedos apertaram fortemente as teclas, já adormecidas. Foi rápido e prático como um miojo de novela. Acabo uma coisa começando outra. Isso ai!
Espacinhos, espacinhos. Olhar nervoso. Medo. Unhas roídas. Aí vem!
FIM
A menina disse que havia migalhas.
"Migalhas, ali!"
Apontou. Eu afastei os grãozinhos da barba e sorri.
"Obrigado".
"Bons esses biscoitos" Eu disse.
"É..."
Naquela manhã de terça feira, iria encontrá-la cantando e dançando sobre uma poça d'água. Chamou-me. Deixei que dançasse mais um pouco, afinal, a hora era chegada, e mais tarde, não mais poderia dançar.
Trançou os cabelos e prendeu-os com uma fita roxa. Correu pelo capim ralinho, dando pulinhos. Empurrou um e outro.
"Já chega!" Eu disse!
"Mais um pouco vai..."
"Tá..."
Aproximou-se lentamente do menino sentado sobre um toco de árvore cortado. Atravessou seu peito com as mãos nuas e balançou de leve, com o indicador a alma da criança. Esta jogou-se ao chão, rindo como desesperado. Ela riu também.
"Porquê os humanos riem tanto?" Me perguntou.
"Porque não se preocupam. Não tanto quanto nós. Ao menos, não quando jovens."
Ela correu mais um pouco, subindo uma colina, observando entre as estrelas, o ponto de onde deveria invocar a chave.
"Me disseram que um dia vamos voltar aqui. Pra falar com o senhor triste..."
"Vamos sim. Mas vai demorar muito."
Ela observa o menino, enquanto é chamado pra casa, correndo pelo gramado ralo.
"Vou poder vê-lo novamente?"
Era o sorriso mais lindo do mundo. Não tinha como não sorrir de volta.
"Vai sim querida. Infelizmente, vai."
E anoiteceu.
*****************
Dizem que o senhor do tempo é um cara muito, muitíssimo chato. Quando Alessandra econtrou-o entre os céus tempestuosos de um planetinha amarelado, ele pigarreou.
"Que faz aqui?"
"Apenas passando"
"Passe logo"
'O tempo tem pressa?"
"Não paro. Nem posso."
Achou engraçada a idéia do tempo parando. Pensou em fazer cócegas nele para que ele soltasse aquele carretel imenso. Ah. O Carretel.
Senhor tempo enrolava o carretel rapidamente, fiando e fiando aquela trama imensa. Aquela trama inútil. Era uma trama colorida, com matizes quentes de tons avermelhados e amarelos. Estes iam caindo ao chão, azulados e cinzentos, até esfarelarem-se completamente. E lá ia o velho chato, incansável.
"Você não descansa?"
O velho ignorou-a. Velhos tinham essa terrível mania de ignorar os mais jovens, vingindo-se de surdos. Alessandra sabia que o tempo ouvia, e muito bem. Repetiu, petulante:
"VOCÊ NÂO SE CANSA?"
Sua careca pareceu reluzir, num dado momento em que olhou-a de soslaio, intimidador. Nesse instante, o fuso escapou-lhe do dedo por alguns segundos, e um buraco enorme surgiu na trama perfeita e complicada da manta.
"Maldita sejas menina! Olha o que fiz!"
Mas a menina não mais podia ouvir-lo. Era costume dos mais novos, deixar os idosos falando sozinhos como se fossem loucos. Vingativa a pequena. Estendeu a mão até a estrela mais ao norte e desenhou um longo traço até a outra estrela. Não tardou a surgir em meio a umn círculo vermelho, o pequeno Diabrete.
"Chamou?"
"SIm."
Vidro.
Gelado.
O silêncio sob os dedos polpudos, marcou-se em riscos caprichosos sobre o vapor.
Quando as lágrimas chegaram, dias atrás, enganou-se.
Agora estava certa.
Desenhou um sorriso, que tímido fitou-a, enquanto o outro, parado sob a sacada, acenava.
***
Não fez cerimônia. Empurrou o fulano sobre a mesa. Os outros riram.
Ela, obviamente, manteve-se em silêncio mortal enquanto os personagens do desenho riam-se aleatórios. Observou-o, envergonhada. Ele era estúpido e tratava mal as mulheres. Chamava elas de gostosas e tarava seus traseiros, com aquela expressão estranha, safada.
Tinha nojo dele. Tanto nojo que o deixou guiar-lhe entre os lençóis. Ouviu uma baladinha em espanhol em sua mente, um pouco antes de gozar. Enojada, apaixonou-se.
***
Queria um vestido azul. tinha um bonito, florido. Arregaçava-o até as coxas, portando-se como vadia na rua. Tudo para levar na cara e sorrir. Secretamente claro.
***
Naquela manhã nublada, despiu-se completamente apesar do frio. Aproximou-se do vidro fosco. A chuva caia enraivada lá fora, esbravejando coisas sem sentido.
Ele estava lá fora, do outro lado do sorriso. Acenou para ela. Ela acenou devolta. E nunca mais se viram.
***
Com uma taça quebrada, rasgou em tiras seu vestido azul-florido. Esparramou o vinho entre seus seios e cortou finas tiras de pele do abdome nu.
Com o sangue desenhou um símbolo mágico na parede, que deveria guiar seus sonhos para algum lugar bom. Dormiu.
***
Quando tornou a acordar, era quase hora de levar as crianças pra creche. Ajeitou o batom e o cabelo, e ergueu-se soberana, a desfilar entre seus delírios. Estes deveriam ficar em casa, é claro. Hora de trabalhar.
Ao erguer a bolsa sentiu uma leve pontada no peito.
Morreu.
Ops. Acho que chegamos numa hora imprópria para menores de 18 anos.
O_O
Este conto, que não é bem conto.
Começa com uma morte. Uma morte simples, não necessariamente tranqüila.
Havia aquela senhora. Pançudinha, alegre. Fumava cigarros de palha com
fumo de corda e era viciada em café e farinha. Ria de um jeito
engraçado e cuidava de mim de novinho. Chamavam-na Doca. A vó Doca.
Ela morreu. Hoje.
Quando minha mãe saía para trabalhar, ela pendurava-se numa lata e me
passava pela janela. Era um segredo mais que secreto, que ela me
levaria até a casa dela, me colocaria no coxo, cheio de água e me daria
groselha pra beber. E lá eu ficaria até o meu pé ficar velhinho. Aí ela
me cantaria a música da baratinha porque sabia que eu gostava. "A
barata diz que tem, sete saias de filó! É mentira da barata, que ela
tem é uma só!"
Ela morreu, de insuficiência respiratória. No caminho do hospital. Simplesmente, parou de respirar e se foi.
Ela gostava de preparar um misto de ovo e farinha de mandioca com sal e
fritar. Dizia que quando a avó dela estava doente, saía com aquilo num
saco e levava pra avó. Que a mãe dela fazia. E que era bom, assim eu
cresceria forte e robusto. Ela me deixava brincar na rua. Vinha
correndo, porque eu sempre pisava nas plantas dela, brincando com meus
bonequinhos, construindo bases militares entre os pés de hortelã ou
prédios secretos no meio das flores amarelas.
"Sai dai seu tiraninho!"
Quando me deram a notícia, foi uma coisa meio assim, seca. "Sua avó
faleceu". Não acreditei na hora. Achei que era palhaçada. Quase ri. Mas
não foi riso que eu ouvi. Foi um soluço. Involuntário. Lágrimas
grossas. Quentes. Tinha que sair dali. Sentei no ponto de ônibus e
chorei. Um grande espetáculo aos transeuntes. Chorei. Chinguei ela.
Disse que era uma idiota de fazer isso. Oras, partir assim. Sem se
despedir. Sem dizer nada! Merecia uma bela "camaçada de pau".
Ela dizia que era minha mãe do dia. E que me amava. E dizia que o
cigarro dela era o "Cheroso". E dizia que não era pra eu fumar porque
eu era bem novinho. E cantava:"Seu Rodrigo, pé de bico, Manoel, pé de
Tabaco...". Ela tinha uma das risadas mais gostosas do mundo. E agora
não pode rir. Deve estar fria, entre flores, numa caixa de madeira
imóvel. Não vou mais ver o peito mamicudo se mechendo com força.
"GUIGOOOOOOOO! VEM TOMÁ CAFÉÉÉ!"
Alguns dias atrás encontrei ela saindo do hospital. Estava mais forte.
"Vó, contei sobre a música que tu cantava"
"música?"
"Quem quer casar com a senhora baratinha! Que tem fita no cabelo e dinheiro na caxinha."
"Ah barata! Tu... sempre cantava. Quando... vivia cantando. E vivia no
meio das tuas tralhas. auele monte de lixo que não jogava fora e ficava
inventando coisa. E ficava cantando... a música... é é, nem sei mais."
Ela sorriu. E é com esse sorriso em mente que imagino que ela partiria
se pudesse. Estendendo as mãos num aceno, com aquele vestidinho
surrado, os cabelos encaracoladinhos que eu erdei, e o olho vermelho e
choroso..
"Xau Guigo. Xáu."
"Xáu vó."
Quando a colher de doce de leite caiu sobre o sofá, o mundo parou. Tudo ficou vermelho. Trovões riscaram o céu de madeira fazendro tremerem as dezenas de bonequinhos de cima da estante.
___COMO OUSA!
Prevendo o que aconteceria em seguida, agarrou-se em almofadas fofinhas como o náufrago a mão trêmula do capitão russo do navio estranho.
___Não me mateeeeee!
A coisa parecia séria. Ela havia colocado as mãos na cintura, símbolizando, segundo os beta-carotenos, a posição da fera açucareiro from hell. Seja o que for, era perigoso, e os olhos assustadores só confirmavam essas deduções.
___Sabe QUANTO custa para mandar limpar ESSA MERDA QUE VOCÊ ACABOU DE FAZER?
Era sempre a mesma coisa. Ele faria carinha de inocente e não ia adiantar. Pediria perdão e começaria uma cena de auto-flagelo inútil, que resultaria num aumento progressivo da raiva dela, a tal ponto que vidas, vidas inocentes de objetos que ele amava imensamente corriam risco de vida.
___Não foi de propósito amor. Essas coisas são como imãs. não dá de se distrair. Ó, amanhã acordo cedinho, mando a Dinorá limpar, ela sabe umas técnicas avançadas das trisavós dela, lá do Egito pra limpar pêlo de camelo. Eu vou dar um jeito juro!
___Sempre a mesma coisa! SEMPRE!
___Amor...
___NÃO SE FAÇA DE...
___Eu vou dar um jeito...
___ Eu não sei o que eu fiz pra merecer...
___Amor...
___Porque não cala essa boca? SE não fosse um fudido e ganhasse mal a gente não ia...
O tempo pára, Quase posso ouvir o sonzinho característico do pause do Supermario. Ela, a boca entreaberta de quem falou demais, como que procurando reengolir todas as palavras de volta, sugando-as. Mas isso não acontece. Ele, imóvel, com cara de quem não acredita no que está acontecendo prepara-se para a segunda fase da discussão.
WORLD 1.2
THE REVOLT
Mário cruza a tela, macacão vermelho até a fase onde a princesa Peach aguarda com a cara de arrependimento.
___Eu não queria...
___...
___Ai amor, tu me irrita as vezes.. não precisava...
___...
___Pára...
___...
Ela vem até ele. Ele vira a cabeça, controlando toda a azía interna, o caldeirão maligno em brasa que tapado herméticamente não permitiria que uma profusão de palavras de baixo calão se espalhasse pelo ar doce de uma noite caseira de sábado.
___Amor... Perdão...
___Não tem problema...
___Tem sim! me perdoa...
___Não esquenta...
___PARA! Eu te amo!
___Tb te amo.
___Vem cá. Me abraça.
___Tá.
Ele sorri escondidinho. A raiva se dissipa em segundos e aproveita a posição para sentir o cheirinho do pescoço dela. Imoralmente, lambe seu rosto de aulto a baixo.
___Filho da puta!
___He he.
Devido aos recentes cortes malvados, acho que terei que me mudar pra cá. Não seria uma idéia tão má, acredito eu, apesar de que eu gostava muuuuito do LJ.
Bem, vamos ver no que dá.
E um pouquinho de System para Ajudar, e saudades da Moça Branca e pensando no que o Homem Cinza estará fazendo agora.
Vistas Grossas
Toquei-lhe o tornozelo.Não escapei da pergunta que quase acertou-me as fuças. Numa esquiva acrobática absurda Tentei desvencilhar-me mas o questionamento esbravejante furou-me o tímpano.
Disse que era culpa das amoras. Elas eram vermelhas e tinham aquele gosto doce-ácido. Mas ela não acreditou.Y
Triste e sem muits opções, pendurou a prancheta coberta de rabiscos sobre a lareira e pôs se a tricotar uma história. ___Vestirei para a próxima festa! - Disse ela sorridente.
Sorriu ele também, absorto nas letras que escapavam da agulha.
Malditas Interrogações! - Pensou. E Desmanchou tudo.



on Xáu Guigo